Fotógrafos - Susan Meiselas, Marcel Gautherot e Cláudia Andujar
Em grupo, realizamos pesquisas sobre 3 diferentes fotografos, analisando suas obras e biografia, selecionando duas fotografias de cada para uma análise mais aprofundada, que foi também apresentada e discutida junto ao restante da turma.
Um dos artistas do grupo foi Marcel Gautherot. Nascido em Paris no ano de 1910, Marcel começou como arquiteto, mas viveu grande parte de sua vida como fotógrafo, sendo a maioria de seus registros feitos no Brasil. Viajou pelo país e registou inúmeras culturas, tipos humanos e festas religiosas em diversas regiões, além de documentar várias peças arquitetônicas, incluindo a construção de Brasília.
Candango, Brasília, DF. Brasil, 1960
Candango foi escolhida pois a imagem capta imediatamente a atenção com sua composição. Ela faz parte de um impressionante acervo retratando a construção da capital, em especial o aspecto humano do trabalho, com foco na ação braçal, e não no trabalho das máquinas. Além disso, essa fotografia retrata um diálogo relevante desde a construção da cidade até os dias de hoje; a cidade para as pessoas. Milhares de trabalhadores de classe baixa foram contratados de diferentes regiões do país para erguer uma metrópole da qual eles não poderiam usufruir, pelo alto luxo e elevado perfil de seu planejamento. Ademais, ela foi projetada para abarcar o crescente número de automóveis pessoais dos brasileiros, ao invés de integrar uma estrutura que favoreceria os pedestres e a vida urbana. Esses aspectos são evidenciados na obra pelo olhar do trabalhador, sua postura, sua posição em relação aos prédios (ele aparece completamente em foco, enquanto os monumentais edifícios tem aparências apagadas e embaçadas) e até mesmo pela sombra que o chapéu faz em seus olhos, que estão nivelados com os frutos de seus esforços ao fundo.
A outra foto de Marcel Gautherot em questão chama a atenção pelas estratégias utilizadas: a não revelação de todo o objeto fotografado e o realce do contraste claro x escuro. Além de essas estratégias naturalmente contribuírem para atrair o olhar de quem observa a obra, também levaram a uma confusão da foto de uma planta com um dos prédios de Brasília (abaixo) - foco de grande parte de seu acervo -, a deixando ainda mais intrigante. Outro ponto de destaque na fotografia é a composição quase simétrica, gerada pela disposição das folhas.
| Susan Meiselas Carnival Strippers |
Susan Meiselas realizou, no início dos anos 70, o projeto “Carnival Strippers”, no qual ela acompanhou e fotografou mulheres que faziam apresentações de striptease em festivais de pequenas cidades nos Estados Unidos. A imagem em questão, tirada em Vermont em 1974, vertical e bem centralizada, chama atenção para dois planos/pontos de vista: a parte inferior do corpo de uma mulher em um plano, semi-vestida e iluminada para o espetáculo, em destaque sobre um palco, com o foco em se apresentar, virada para o público. No outro, um homem a observa das sombras, totalmente vestido e despercebido. Sua presença, embora no fundo, é destacada ao ser mostrado por completo; as pernas da mulher, em contrapartida, é um artefato de exibição. Ademais, a posição, postura, olhar do homem, em conjunto com a sombra que incide sobre metade do rosto do homem também pode implicitar uma condição de sigilo ou imoralidade para suas ações, como se ele estivesse tentando se esconder por estar fazendo algo errado.
Susan Meiselas
Prince Street Girls, 1976-1979
A outra foto de Susan Meiselas escolhida faz parte de um conjunto de fotografias de meninas da vizinhança da autora, acompanhando elas ao longo de vários anos. O que mais chama a atenção e o motivo da escolha da foto é o contraste entre o cabelo e as roupas das meninas, mais escuros em relação ao resto mais claro, fazendo com que em um primeiro momento todo o fundo quase se misture e o foco vá para as meninas. Além disso, a foto é composta por várias camadas que, ao olhar novamente, ficam evidentes a criança brincando na areia e o barco ao fundo - separados entre si pela onda se formando - que estavam "escondidas" devido à suas tonalidades menos chamativas e disposições em outros planos.
Cláudia Andujar é uma fotógrafa e ativista que nasceu na Suíça e viveu sua adolescência no contexto da segunda guerra mundial, e por esse motivo fugiu com sua mãe para o Estados Unidos. Só chegando ao Brasil aos 25 anos de idade e sem falar ao menos uma palavra em português, começou a usar a fotografia para se comunicar com as pessoas. Para ela, a fotografia revela quem são as pessoas. No Brasil, Cláudia se dedicou a conhecer e expor a luta dos povos originais do país. Seus trabalhos se dividem em três partes: a terra, o homem e o conflito. No primeiro momento ela tenta entender o local, no segundo quem são as pessoas que vivem nesse local e como elas se relacionam com o espaço e no terceiro, os conflitos gerados quando há intervenção de outras pessoas no espaço que não é originalmente delas.
Exposição Claudia Andujar, a luta Yanomami, na Fundação Cartier, 2020
A obra em questão faz parte do acervo da Exposição Claudia Andujar, a luta Yanomami, na Fundação Cartier ( 2020), capturando diversos aspectos da cultura desse povo. A fotografia se destaca por suas listras brilhantes de luz e elementos móveis borrados. Segundo detalhes técnicos, Claudia usa também múltiplas exposições, para sobrepor várias cenas no mesmo quadro, sugerindo a presença de muitas pessoas e a conexão espiritual que elas compartilham - o que traz profundidade visual e simbólica à imagem.Ela usa baixa velocidade de obturação, flashes e lamparinas de óleo para criar listras brilhantes e elementos móveis borrados. Faz também múltiplas exposições, para sobrepor várias cenas no mesmo quadro, sugerindo a presença de muitas pessoas e a conexão espiritual que elas compartilham. Outro ponto de destaque são os membros corporais, que assumem importante papel na obra, funcionando para integrar os fotografados por mneio de abraços e outros contatos.
Yanomami (da série: A casa), 1974-76 Nº 2002.157 |
À primeira vista, o que captura a atenção é o espaço vazio e escuro ao redor da foto, o que faz com que a cena fotografada fique com um foco muito grande. Na fotografia é possível ver um comportamento cultural dos povos originais do Brasil: o abraço, que retrata o quão forte é a união entre eles. A pele e o contato muito grande com um certo calor humano, possivelmente pela afetividade envolvida, também são evidenciados. Outro fator interessante é o destaque das linhas curvas, tanto pela posição como eles estão sentados quanto na forma como os braços estão entrelaçados. Também é possível perceber o formato de um coração pela disposição das pessoas, quase pulsando com a iluminação.
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